brilhos falsos

segunda-feira, 5 de julho de 2010 às 19:38
mais uma vez. num eterno retorno infalível, mais uma vez. o cenário não mudou: essa mesma rodoviária para dizer o mesmo adeus. só a pessoa que mudou. que bom! embora o sorriso, desconfio, é quase o mesmo. é agonizante ver que todas as pessoas estão partindo e eu continuo no mesmo lugar. é essa espera no porto, no ponto fixo. é essa insensatez de quem vai que incomoda. e fere. porque ir é sempre doloroso. e a partida sua me lembra que nenhum azul do céu vai esconder essa coisa bonita de se escrever que é a falta. e quem vai me dizer que não faz sentido algum a espera? que saudade é medo de se sair do lugar? se estou aqui, foi porque vim de algum outro ponto que, de tão pequeno, me expulsou! mas aqui, de tão grande, me cabe tão bem que vê-lo voltando pra longe, me dá a certeza que meu abrigo não é mais uma cidade, são teus braços. que cheiro seu é meu aroma de cura-ressaca. que o som da sua voz, assim meio cantada, nesse sotaque viajado, é bem desse jeito, que não vou dizer qual é, não cabe aqui, mas que você sabe, se bem sabe e bem gosta. e judia. judia porque sabe. e sabe fingindo esquecer. venha você me dar um último abraço. desses apertados que só você sabe dar. mais uma vez, se puder. e volte. estarei sempre aqui, você sabe...


"E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti, não te permiti, não nos permiti. Pedro Paulo me dizendo no ouvido "nunca vi essas luzes nos seus olhos".

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