amigo. no singular.

domingo, 2 de maio de 2010 às 23:05
Gosto de te ter por perto. De te ver falando sozinho. Ficando vermelho com algum comentário indiscreto que faço, desses que sempre faço. De você pegando uma cadeira pra eu sentar do seu lado e contar coisas desinteressantes que, não sei como, você sempre acha interessante. Quando muito você me oferece sua cerveja dizendo "pode querer!". E quando você vem de longe, andando desengonçado, eu abro os braços com muito júbilo porque seu abraço é uma bela maneira de começar o dia. Porque é abraço de amigo que quer bem. E quando estou mal, triste e descrente, você passa a mão no meu cabelo macio e despenteado e diz "fica assim não, calanguinho...". De alguma forma, eu fico bem melhor quando eu vejo algum sentido nas coisas que você diz. E, às vezes, te vejo no canto pensativo, um pouco taciturno, corro logo porque te querer bem é algo intrínseco e novo. E te quero bem até nos seus momentos idiossincráticos, porque algumas coisas suas são quase minhas. Não sei porquê, mas sinto muito sua falta quando vou embora. E, quando me escondo de todo o resto, de você eu vejo que não preciso. Em algum momento, eu deveria me sentir desconfortável com o tamanho de coisas que você sabe de mim. E você sabe tanto que o que não sabe eu sei que já adivinhou. E adivinha muito. Veja, às vezes falo muito e você se cansa, te atrapalho e te atropelo, mas eu quero te escutar sempre porque não sei como fazer as coisas sem ser desse jeito torto. E parece bonito quando você diz que nem é tão torto assim. E se transforma em beleza quando você fotografa. Os minutos que você passa escolhendo a cor e o tom, o ângulo dos olhos sem miopia, tudo isso faz com que alguma leveza inexistente, apareça. Te procuro quando você não está. Porque é perto que te quero e te adoro. Não importa se judeu, antropólogo, fotógrafo agraciado, alvo principal de criancinhas de ruas famintas por trocado. Se precisar, sei que você me empresta. Não importa... Fique perto. Sempre.


"A memória da gente é safada: elimina o amargo, a peneira só deixa passar o doce." [ C. F ]

3 comentários

  1. Anônimo Says:

    Queria ter palavras para expressar minha emoção. Mas nenhuma delas serviu. E não é a primeira vez que tento cá escrever. Diferente de você, não me dou muito bem com elas. Penso demais para escrever. As letras me parecem cubos de gelo frias e sem nenhuma emoção. E emoção é o que transborda agora. Melhor que você também estivesse por perto. Mas tudo que está ao meu alcance é um teclado e uma tela de computador. Gostaria simplesmente de te abraçar, como nunca antes. As lágrimas se encarregariam de dizer tudo.

  2. Achei muito lindo.

  3. Felipe Brito Says:

    E acho que sei quem é...

    E se for quem imagino, mesmo não sendo tão próximo, sublinho a grandeza desta figura.

    Parece um judeu, né? haha =)

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